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Vista das musas no trópico

Vista das Musas no Trópico

Por uma crítica literária do livro "Vista das Musas no Trópico"

Por Ana Maria Haddad Batista* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Vista das musas no trópico

Vista das Musas no Trópico
Autor: Leda Tenório da Motta
Editora: Lumme Editor
240 págs.

Em todos os momentos históricos houve os pessimistas, diga-se de passagem, sempre a maioria. Apocalípticos. Desintegrados. Entre eles aqueles que proclamaram o fim da literatura, o fim do mundo, o fim dos tempos, o fim da filosofia e, em especial, o fim da crítica literária.

Via de regra, a história tem demonstrado que o universo não se rende a determinações numa relação, simples, de causa e efeito. As indeterminações, felizmente, se traduzem em aberturas.

E num contexto tão incerto, (mas aberto), como o contemporâneo, surge uma obra singularíssima, ou seja, Vista das Musas no Trópico, de Leda Tenório da Motta, publicado recentemente por Lumme Editor.

A autora, sabe-se, há tempos, é um dos únicos nomes deste país que merece ser chamada de crítica literária. Um dos maiores referenciais destes tristes trópicos somente para lembrar Lévi-Strauss.

Qual é a sua proposta? Acrescentar a uma obra anteriormente publicada por ela, em 2002, ou seja, Sobre a crítica literária brasileira no último meio século, novas leituras a respeito do assunto.

Nessa medida: “O livro envereda assim por novos argumentos para continuar encaminhando a mesma pretensão: não a de medir forças com o campo, em que a autora se sentia e se sente posta, por simplesmente realizar trabalho de pesquisa, mas a de medir diferenças, a de apreciar a elegância das equações jogadas na roda, a de ousar preferir também aquelas formulações a estas”.

Leda Tenório adverte que se antes estava mais centrada em dois polos da crítica literária, agora, na obra em questão, busca colocar em discussão, uma vez mais, as propostas de nosso saudoso Haroldo de Campos e outros críticos.

Lembremos, juntamente com a autora, que neste país, muitas vezes, desmemoriado, houve duas correntes de crítica literária que predominaram: uma muito mais voltada para uma espécie de sociologia da literatura.

Os enfoques a respeito da literatura (e não somente) buscando explicações nas condições sociais e materiais em que as obras, objetivamente, são produzidas. Quase um produto exclusivo do meio. De cunho predominantemente positivista.

Nessa medida, na maioria das vezes, saíram críticas em que a obra se tornava secundária. As teorias prevalecem em relação à obra para se buscar explicar ‘fenômenos sociais e literários’.

*Ana Maria Haddad Batista é mestra e doutora em Comunicação e Semiótica. Pós-doutora em História da Ciência. Pesquisadora e professora da Universidade Nove de Julho.

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