Veja entrevista com Heródoto Barbeiro

Com 18 anos de atuação na imprensa, Heródoto Barbeiro trocou o papel de professor de história para construir um nome de destaque no jornalismo nacional

Por Edgar Morin | Foto: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

Depois de uma extensa carreira como professor de história na USP, formado em direito também, Heródoto Barbeiro decidiu, aos 42 anos, tornar-se jornalista, e encarou sua terceira graduação, desta vez em Comunicação, explica o atual âncora do Jornal da Record News. Essa é uma das grandes lições de vida do jornalista, que aborda nesta entrevista, suas reflexões sobre a utopia jornalística, fé e filosofia.

 

Heródoto se destacou na grande imprensa como apresentador do Jornal da CBN de São Paulo, desde que a rádio foi fundada em 1991; e como jornalista da TV Cultura, onde atuou como repórter e apresentador do Jornal da Cultura e, posteriormente, comandou o programa Roda Viva na mesma emissora (em dois momentos diferentes). O jornalista já recebeu diversos prêmios pelo trabalho desenvolvido.

 

Na esfera pessoal, segue o budismo há mais de 40 anos. “A filosofia do budismo casa com a do jornalismo: as duas prezam pelo caminho do meio, da isenção, da ética e do interesse público”, esclarece Heródoto. “O jornalista tem o dever de duvidar, não pode acreditar em tudo que as pessoas falam. A importância está na notícia“, completa. Ele também tem uma vida simples e gosta de se deslocar de metrô pela cidade de São Paulo. Barbeiro ainda tem uma reserva ambiental, com cerca de 24 hectares de Mata Atlântica. “Muitas pessoas não conhecem esse meu lado ligado à preservação do meio ambiente. Nem outras iniciativas pessoais, como meu vínculo com uma rádio comunitária, chamada Caramelo, o apoio a Sociedade Ambiental de Taiaçupeba e o meu fascínio por explorar países ricos em história, entre eles, Butão, Sri Lanka e Azerbaijão”, completa Heródoto.

 

FILOSOFIA • Depois de muitos anos lecionando história, como surgiu a sua paixão pelo jornalismo e por quais motivos?

BARBEIRO • Aprendi no curso de história que o jornalismo também era fonte de pesquisa. Portanto, conhecer o funcionamento da imprensa era importante para pesquisa histórica. Isto me fez aproximar do jornalismo. Nas aulas sempre recomendava que os alunos lessem os jornais. Lembrava que, se a gente não entendesse o que estava acontecendo hoje, seria mais difícil entender o passado. E que a história era capaz de buscar a origem e contextualizar tudo o que influenciava o nosso dia a dia. Aprender a ler jornal, fazer análise e ligações com o passado fazia parte do meu trabalho como professor. Quando apareceu a oportunidade de aprender a fazer jornalismo, acabei me apaixonando, e, gradativamente, deixei de ser professor de história, profissão que exerci por 25 anos. O jornalismo é fascinante já que possibilita o contato direto com pessoas de diferentes meios sociais. Durante os meus 18 anos na área, já entrevistei empresários, lideranças e o cidadão comum, todos contribuíram para expandir meus  horizontes em relação ao mundo contemporâneo.

 

Foto: Shutterstock

 

FILOSOFIA – Leonardo Boff disse que o novo Papa “deveria ser um homem profundamente espiritual e aberto a todos os caminhos religiosos”. Como as religiões podem conviver melhor e o homem assimilar concretamente essa experiência? 

BARBEIRO • Primeiro as religiões devem se abrir. Permitir que outras pessoas conheçam na teoria e na prática sua essência. Portanto o primeiro passo é acabar com o preconceito contra qualquer outra religião. O segundo passo é proporcionar encontros inter-religiosos em todas as oportunidades possíveis, desde uma cerimônia de formatura até um seminário na universidade. Fui a um encontro na ONU sobre o FIB- Felicidade Interna Bruta – e surpreendeu-me ver no plenário líderes religiosos de todos os credos. Foi a primeira vez que senti de fato o que era praticar a tolerância religiosa e sua importância para a transformação do mundo.

 

FILOSOFIA – O engajamento ainda tem espaço na mídia?

BARBEIRO • Sim, desde que seja transparente. É preciso que o público saiba o que é opinativo, interpretativo ou informativo. Há um compromisso ético de se apurar corretamente as notícias, buscar isenção e ética, que são instáveis uma vez que estão relacionadas com o contexto histórico. É preciso que haja diferentes opiniões sobre todos os assuntos e que o público tenha acesso, e, hoje, com as mídias sociais, possa debater abertamente com os emissores jornalistas. Não se publica mais nada impunemente desde o desenvolvimento da internet, o que, na minha opinião, colabora para melhorar a qualidade do jornalismo e aprofunda a democracia.

 

FILOSOFIA – A presença de filósofos comentando temas sociais e políticos na mídia impressa, na televisão, na rádio e na Internet cresceu bastante nos últimos anos, como o senhor avalia tal participação? 

BARBEIRO • É um grande avanço. A filosofia sai do mundo acadêmico e se encontra com o público através da comunicação. Deixa de ser um núcleo fechado, elitizado, isolado para difundir conhecimento para a sociedade. Eu mesmo, no Jornal da Record News, onde trabalho, sempre convido filósofos. Um deles tem a minha preferência pelo seu conhecimento e o jeito fácil de falar, que é o Renato Janine Ribeiro. Várias vezes entrevistei o Edgard Morin na TV Cultura. E muitos outros.

 

FILOSOFIA – Qual o maior problema do ensino dehistória nas escolas para crianças e adolescentes?

BARBEIRO • O problema, ou melhor, a solução é o professor. Ele precisa conquistar o coração e a mente da moçada, senão não ensina nem história, nem nenhuma outra disciplina. Não há livro didático, Internet, Whatsapp, filminho, que substitua o bom professor.

 

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Filosofia Ciência & Vida Ed. 125