A filosofia do romântico e a política

O termo “romântico” sem dúvida é daqueles cuja importância é inigualável em nosso idioma, talvez com um relevo singular

Por Bruno Curcino Hanke* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Movimento romântico e a política

Em tempos de desconfianças, acusações e delações premiadas, quem acredita na política como meio de organização social é certamente chamado de “romântico”, tanto quanto seria nomeado de ingênuo ou outros adjetivos. O vocábulo denota tanto aquele que é apaixonado e sentimental, que se comove facilmente, quanto se refere àquele que profere um discurso utópico, de tom supostamente nobre, estando acima do que é ordinário.

Em nosso cotidiano, “romântico” vai desde uma significação artística, ligada aos ideais do amor presente nos romances, na poesia e em outras manifestações culturais que ajudam a construir nossa relação com o mundo, até sua própria depreciação pelo entendimento próximo de uma ideia de passividade nos assuntos amorosos, e reflexivo, como se o “romântico” fosse alguém que vivesse um idealismo sem que seu pensamento demonstrasse qualquer abrangência prática ou dinâmica.

Nas ocasiões em que pessoas flertam com prováveis pretendentes, ser “romântico” normalmente é um ponto positivo no campo da paquera, mas sê-lo no campo ideológico denota um discurso “ultrapassado” ou de pouca consistência, quase nostálgico. No entanto, se por um lado ganhou sentidos mais presentes no dia a dia das pessoas, perdeu sua verve de potência histórica, artística e filosófica; perdeu sua ligação com a natureza e sua contribuição de esperança pela retomada de relações humanas menos fúteis ou secamente objetivas.

*Bruno Curcino Hanke é psicólogo e doutorando em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, atua como professor assistente do curso de psicologia da Faculdade Pitágoras de Betim, em Minas Gerais.

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