Pós-Filosofia será filosófica?

Por Lúcio Packter* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Em 1941 apareceu o Clube Socrático da Universidade de Oxford. Seu presidente era C.S. Lewis, um homem que fomentava o embate de ideias entre agnósticos, cristãos e ateus. Mais de uma década depois Lewis continuaria o trabalho na Universidade de Cambridge, em Literatura Medieval e Renascentista. Joseph Pearce nos conta um episódio no qual um homem apregoava o relativismo afirmando que a Inglaterra, o Mundo, a Universidade de Oxford e ele mesmo não existiam. Lewis então perguntou ao jovem como poderia conversar com ele, uma vez que não existia, que não estava ali.

 

Algumas pessoas consideram os contrastes e, nos contrastes, mais contrastes, descobrem e inventam os caminhos em lugares remotos a possibilidades. Marcelo Gleiser escreveu em sua obra A Dança do Universo um diálogo que teve com seu filho Andrew, sete anos; o menino indagou a ele se existiria alguma coisa que pudesse viajar mais rápido do que a luz. Gleiser disse a ele não. O menino então perguntou: “E a escuridão?”.

 

O horizonte aberto em espaços pode ser um caminho de labirintos. Considere como um exemplo estar sentando em um confortável sofá de inverno, em sua sala de leitura, um lago adormecido avistado dos janelões, e um café; e então sua propriedade é questionada. Você trabalhou uma vida, cada objeto, cada recanto de sua acolhedora cabana é parte de seu trabalho, e uma página de Proudhon cai da prateleira aberta na parte na qual anuncia que a sua propriedade é um roubo. Se é propriedade, é roubo. Isso causa incômodo, corrompe o entendimento da leitura na acolhedora poltrona; contemporizar: nem toda propriedade é roubo. Mas o labirinto segue, o horizonte se expande, e o roubo se torna engano, erro de interpretação, outros significados surgem, o horizonte expande, estamos em movimento, a temperatura muda e agora entardeceu; é outro jardim. Em alguns jardins não há posse, inexiste propriedade, não há roubo, são outros os dilemas.

 

 

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Adaptado do texto “Pós-Filosofia será filosófica?”

*Lúcio Packter é filósofo clínico e sistematizador da Filosofia Clínica no Brasil. Graduado em Filosofia pela PUC-FAFIMC de Porto Alegre (RS). É coordenador dos cursos de pós-graduação em Filosofia Clínica da Faculdade Católica de Anápolis, Faculdade Católica de Cuiabá e Faculdades Itecne de Cascavel.