O humano na idade da técnica

Longe de ser algo alheio a nós mesmos, as técnicas e tecnologias são de fato a nossa própria natureza, já que as fazemos, dia após dia, mas, de igual maneira, elas também nos fazem, num só movimento de reciprocidade

Por Alexandre Quaresma | Tradução: Sandra Dall´Onder

Pensar as técnicas e tecnologias como problema não é tarefa fácil. Estamos tão acostumados a concebê-las preponderantemente como solução, que é bastante improvável que, em termos de reflexão, consigamos percebê-las (também) como um possível problema. As técnicas e tecnologias nos oferecem solução e alívio para uma série de atividades e problemas que, de outra maneira, seriam impossíveis de serem realizados, ou que teríamos de resolver por nossa própria conta, sem o auxílio de máquinas, instrumentos e ferramentas, ou seja, algo até improvável. Foi por meio de nossa história trilhada tecnicamente que construímos nossas sociedades, nossas cidades, e foi assim também que acabamos nos transformando no filo mais predominante do planeta. Nós concebemos e utilizamos as técnicas e tecnologias, estruturamo-nos socioculturalmente e compreendemos o mundo por meio delas – sustentamos –, mas acabamos igualmente sendo determinados por seus próprios determinismos.

 

Quem irá aprofundar esse assunto interessantíssimo e nos esclarecer acerca da importância das técnicas em relação à nossa própria história bioevolutiva é o Dr. Umberto Galimberti. Galimberti, um prestigiado e renomado filósofo, psicanalista e docente italiano, com mais de 30 títulos publicados, traduzidos para diversos idiomas, dos quais destacamos a publicação no Brasil de Psiche e techne – O homem na idade da técnica, (Paulus, 2006).

 

FILOSOFIA • Qual o papel das técnicas e tecnologias em nossas vidas?

Galimberti • A técnica, comumente considerada uma ferramenta à disposição do homem, tornou-se, hoje, o verdadeiro “sujeito” da História; o homem executa o papel de funcionário de seus equipamentos, cumpre aquelas ações descritas e prescritas no rol de tarefas das ferramentas e coloca sua personalidade entre parênteses em favor da funcionalidade. Se, então, a técnica passou a ser o sujeito da História e o homem, seu servo obediente, o humanismo pode ser dado por concluído, e as categorias humanísticas, que até agora nós adotamos para ler a História, se tornam insuficientes para interpretar a época iniciada com a era da técnica. De certo modo, a técnica pode ser considerada a própria essência do homem. Porque o homem é um ser vivo privado de instintos. A definição tradicional de animal racional é substancialmente inadequada, pois falta a ele a característica essencial do animal, o instinto. O instinto é uma resposta rígida diante de um estímulo. Se eu mostro a um herbívoro um pedaço de carne, o herbívoro não percebe a carne como alimento, mas se eu mostrar a ele um fardo de feno, pula imediatamente para comê-lo. Os homens não têm essas respostas rígidas aos estímulos que chamamos de instintos. Freud, em suas primeiras obras, fala de Instinkt, mas depois abandona esta palavra substituindo-a por Trieb, em português “pulsão”, ou seja, um impulso genérico para alguma coisa. O próprio instinto sexual não é tão instintivo em nós, pois, na presença de um apelo, podemos nos entregar a todo tipo de perversão – que não acontece com os animais –, assim como focar-nos em algo não sexual: uma obra de arte, um poema, uma música, etc. Freud chama isso de sublimação da pulsão sexual. Desta forma, o homem não deve ser pensado como um animal dotado de instintos, mas como um ser vivo que, não sendo codificado pelos instintos, somente sobrevive quando se torna imediatamente técnico. Neste sentido, podemos datar o nascimento da humanidade no momento em que o primeiro antropoide levantou um bastão para pegar uma fruta. O componente técnico é, portanto, a dimensão com a qual o homem compensa a falta de instintos, e como representa a sua eminente liberdade. A liberdade não é para ser considerada caída do céu. O homem é livre porque é biologicamente deficiente, porque não é codificado de uma forma rígida pelos instintos. Assim, a liberdade é sua indeterminação biológica. Somos livres exatamente porque não somos codificados pelos instintos, ao contrário do animal, que, a partir do momento em que nasce, sabe tudo o que tem de fazer até a sua morte. A teoria de que os homens não têm instintos foi apresentada pela primeira vez em Protágoras de Platão. Conta-se que Zeus encarregou Epimeteu (epi-metis, aquele que pensa depois, ou seja, imprevidente, inexperiente) de distribuir as qualidades a todos, qualidades que eram, pois, as instintivas. Quando chegou ao homem, já não tinha mais nada, pois havia sido generoso nas entregas anteriores. Então Zeus, por compaixão pelo destino humano, encarregou o irmão de Epimeteu, Prometeu (pro-metis, aquele que pensa antes), de dar suas próprias virtudes ao ser humano: a “pré-cognição”, a “pré-visão”. Hobbes sustenta que, enquanto os animais comem porque têm fome, o homem é o único famelicus famis futurae, isto é, faminto também da fome futura. Ele não precisa ter fome para procurar comida, porque prevê, e, mesmo estando saciado, sabe que chegará o momento em que precisará de comida. Esta é a virtude do homem: capacidade de previsão. Então, o homem originalmente nasce “técnico”. Pode-se dizer – usando uma fórmula mais complexa – que o dia em que entre os antropoides se manifestou pela primeira vez um ato técnico, naquele dia nasceu o que hoje chamamos de homem.

 

FILOSOFIA • Como a Filosofia tem lidado com a questão da técnica através da História?

Galimberti • O problema da técnica foi objeto de estudo na Grécia antes mesmo do nascimento da Filosofia; por exemplo, na tragédia de Ésquilo, intitulada Prometeu acorrentado. Não devemos pensar que as tragédias gregas sejam representações teatrais encenadas simplesmente para fazer rir ou chorar. O povo grego é o mais sério da Terra. Quando surgiram problemas na cidade, eles foram representados no teatro, ou em uma dimensão sagrada. De fato, todas as palavras gregas que começam por thea, ou seja, theos (deus, entre os quais Zeus), theorema (teorema), theatro (teatro), contêm uma referência ao sagrado. Na tragédia de Ésquilo a qual nos referimos, Prometeu, o amigo dos homens, dá-lhes o fogo com o qual eles podem transformar metais e produzir ferramentas. Dá-lhes a capacidade de cálculo, previsão e, em alguns aspectos, os princípios da operacionalidade técnica. Neste ponto, no entanto, Zeus ficou com medo de que os homens, por meio da técnica, pudessem se tornar mais poderosos que os deuses. Nesta passagem, já parece óbvio o conflito entre religião e ciência. De fato, com a ciência e com a técnica é possível obter o que antes era necessário pedir aos deuses. Então Zeus pune Prometeu: o amarra a uma rocha com uma águia que lhe devora o fígado, que continuamente se regenera para garantir o castigo eterno. Os mitos precisam ser analisados com muita atenção, porque não são contos, fábulas, puras invenções da imaginação. Nos mitos existem a ciência, o conhecimento. Por exemplo, supondo que o fígado se regenere, contava-se com a capacidade dos médicos da escola de Kos (uma pequena ilha grega perto da Turquia atual). Esses médicos já tinham identificado uma característica fundamental do fígado, que é de se regenerar continuamente. De fato, a cada três ou quatro semanas, as células do fígado se transformam. Havia, portanto, noções científicas neste mito. Voltando a Ésquilo, num certo momento, o coro pergunta a Prometeu quem é o mais forte, a técnica ou a natureza. A pergunta exige imersão profunda no pensamento grego, isto é, libertar-se da concepção cristã de natureza, na qual estamos todos impregnados, tanto crentes quanto ateus. Na cultura judaico-cristã a natureza foi criada pela vontade de Deus, e, como tudo que é fruto “da vontade”, a natureza possui certas características, mas poderia possuir outras, diferentes. Não só. A natureza foi entregue aos homens para seu sustento e para exercer sobre ela seu poder. A natureza, portanto, é produto da vontade de Deus colocada sob domínio do homem. Mas isso tudo é inconcebível para os antigos gregos. Para eles, a natureza é um todo completamente imutável, governado pela potente categoria da necessidade (anánke). As leis da natureza não podem sofrer qualquer modificação. “O Cosmos não foi criado por nenhum Deus e por nenhum homem – diz Heráclito –, sempre foi e sempre será imutável”. Não é produto de uma vontade, que pode ser de um jeito, mas também de outro, e muito menos algo que o homem possa dominar. Platão diz: “Homem mesquinho, não pense que este Cosmos foi criado para ti. Terás razão se te conformares à harmonia universal”. Todos aqueles que pensam que os gregos – e, em particular, Platão – são os precursores da cultura cristã, ou não entenderam os gregos ou não entenderam o cristianismo, pois há um abismo entre os dois cenários. No mundo grego, os homens contemplam a natureza para compreender suas leis e, com elas, construir a ordem da cidade e a ordem da alma. A natureza, portanto, é o horizonte de referência tanto na política quanto no governo da alma, hoje outorgada à psicologia. No mundo judaico-cristão, a natureza é entregue ao homem para que a domine. Não há contradição entre técnica e natureza, enquanto para os gregos essa contradição aparecia com toda força, porque se a natureza é imutável, o que aconteceria se a tecnologia a alterasse? Prometeu responde ao coro de modo lapidar: “Téchne d’anánkes asthenestéra makró”, a técnica é muito mais fraca que a necessidade, pois ela vincula a natureza à imutabilidade e à regularidade das leis. Para Sófocles, em Antí­gona, o arado sulca a terra, mas a terra logo depois se recompõe. O navio para o mar, mas as ondas recompõem imediatamente a calmaria sonhada. A natureza não viola a lei da necessidade e a técnica não vai além da lei da natureza. A resposta de Prometeu só é correta porque naquela época a técnica era bastante modesta.

Émile Durkheim: religião e socialismo

 

FILOSOFIA • Como as técnicas e tecnologias transformaram a nossa relação com a natureza, o mundo e a cultura que nos cerca?

Galimberti • Se pularmos 2 mil anos, passamos da época de Ésquilo ao ano 1600 da nossa era, quando ainda se cultivavam os campos exatamente como no tempo dos gregos; do ponto de vista técnico, portanto, não havia ocorrido grandes novidades. Por mais que tivéssemos a arquitetura e a hidráulica ­romanas, ­aproveitavam-se ainda as encostas naturais e os ­recursos energéticos oferecidos pela natureza. Na medicina, não era tanto o remédio que curava, mas era a natureza que favorecia o processo de cura. Em síntese, a natureza ainda mantinha sua antiga primazia. Em 1600, no entanto, surge um fenômeno totalmente novo: a ciência moderna. Os nomes de referência são Bacon, Descartes, Galileu, segundo os quais não era mais necessário fazer como os gregos, que se limitavam a contemplar a natureza em uma tentativa de capturar as suas leis. É necessária – eles dizem – uma operação inversa: formular hipóteses sobre a natureza, submeter a natureza às experiências, e se a natureza confirmar o experimento, transformamos as nossas suposições em leis da natureza. Este é o método científico, a base da chamada ciência moderna. Dois séculos mais tarde, Kant refere-se àquele evento como uma “revolução copernicana”. Antes de Copérnico se pensava que a Terra fosse o centro do universo. Com Copérnico a relação Terra-sol se inverte: o centro do universo é o sol com a Terra que se move em torno dele. Kant também menciona dois nomes ­italianos: Galileu e ­Torricelli. Eles – defende o filósofo de ­Königsberg – não se ­comportaram, em relação à natureza, como os estudantes que aceitam tudo o que diz o professor, mas como os juízes que exigem que o réu responda às suas perguntas. A natureza agora é o réu que responde às perguntas dos homens e, se as hipóteses que estes formularam se confirmam, são tidas como “leis da natureza”. Então, falemos claramente: a essência do humanismo é a ciência. O humanismo não é a literatura em torno do homem, não é o tratado de Lorenzo Valla, De dignitatae hominis, não é a arte que glorifica o ser humano. A essência do humanismo é a ciência, porque, como disse Descartes, através do método científico o homem se torna dominator et possessor mundi, dominador e senhor do mundo. O homem descobriu o método para ler a natureza e organizá-la de acordo com seus planos, e desta forma se torna um pouco ingênua a divisão entre as ciências humanas e as ciências naturais, uma vez que é a ciência moderna que dá ao homem a primazia sobre a ordem natural. É necessário, porém, esclarecer duas coisas. Quando se fala de ciência não se deve pensar em alguma coisa “pura” em relação à qual a técnica constitui apenas uma aplicação, boa ou ruim, segundo o uso que se faz. Esta compreensão está baseada na falsa convicção de que a técnica não passa de uma simples aplicação da ciência, quando na verdade ela é essência da ciência. Não porque sem a técnica não seria possível nenhuma pesquisa científica, mas porque a ciência não olha o mundo para contemplá-lo, mas para manipulá-lo, transformá-lo. O olhar científico possui logo intenção técnica que o configura, qualifica e direciona para a manipulabilidade. É como se um poeta e um marceneiro fossem visitar a floresta: os dois não enxergariam as árvores do mesmo modo, porque o marceneiro logo veria nela a madeira para os móveis. Passemos ao segundo preconceito. É verdade que entre ciência e religião – entre Zeus e Prometeu, citando o mito anterior – há certo conflito. Mas é um conflito relativo, muito menos relevante do que a profunda identidade existente entre ciência e teologia. A ciência é filha da teologia medieval. Ainda que professe não ter uma finalidade precisa e se movimente como se Deus não existisse, a ciência inunda de metáforas teológicas. A teologia tinha marcado o tempo em passado, presente e futuro, determinando que o passado é o mal (o pecado original), o presente é o resgate (a redenção trazida por Cristo e, em seguida, por meio das boas obras dos homens) e o futuro é a salvação. Passado, presente e futuro são, portanto, três tempos homogêneos. Esta tríade – este modo de conceber o tempo – é a mesma encontrada na ciência, onde o passado é ruim, porque representa a ignorância, o presente é a pesquisa e o futuro é o progresso. A ciência pensa teologicamente, e, por isso, pode-se dizer que no trabalho dos cientistas existe uma profunda base teológica. Um bom testemunho disto encontramos em Bacon quando diz explicitamente que “a ciência contribui para a redenção do homem” (Novum Organum). Por qual motivo? Porque, escreve, por meio da ciência os homens podem recuperar as virtudes pré-naturais que Adão possuía antes do pecado original, e principalmente porque, e graças a ela, podem reduzir as penas resultantes do pecado original. Estas são – como todos sabem – a dor (“dar à luz na dor”) e o trabalho (“ganhar o pão com o suor do rosto”). A ciência, ou se preferirmos, a “tecnociência”, reduzindo a fadiga do trabalho e a atrocidade da dor, contribui para a redenção do homem. Este é exatamente o cenário teológico no qual nasce a ciência moderna. Ainda em 1600, cidades tecnológicas foram imaginadas e descritas em obras de leitura agradável, como A nova Atlântida, de Bacon, Utopia, de Thomas Morus, A cidade do sol, de Campanella. Mas é claro que são projeções fantásticas, uma vez que, na realidade, a técnica ainda não tinha encontrado suas aplicações. Os campos eram cultivados ainda como na época dos gregos.

 

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FILOSOFIA • Como compreender a estruturação da chamada Idade da Técnica? 

Galimberti • Demos outro salto de 200 anos para chegar a Hegel. Ele diz duas coisas fundamentais para a estruturação da era da técnica. Na obra Ciência da lógica Hegel sustenta que a riqueza, no futuro, não será determinada pela posse dos bens, mas dos instrumentos, porque os bens são consumidos, enquanto os instrumentos são capazes de produzir novos bens. Para nós que crescemos no mundo industrial, e depois técnico, isso parece óbvio, mas na época de Hegel não era assim. Basta pensar que apenas 40 anos antes, Adam Smith – o criador da economia política, em seu famoso livro Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações – havia indicado exatamente “os bens” como medida da riqueza. Hegel, ao contrário, diz que não será mais assim, a riqueza será determinada pelos instrumentos, pelas máquinas, por aquilo que é capaz de produzir, e não por aquilo que é consumido. A segunda consideração decisiva de Hegel é a seguinte: quando um fenômeno cresce do ponto de vista quantitativo, não ocorre somente um aumento de quantidade, mas uma variação qualitativa radical. Hegel dá um exemplo muito simples: se eu arrancar um fio de cabelo, sou ainda alguém que tem cabelos, se eu arrancar dois fios de cabelo, continuo alguém com cabelos, mas se eu arrancar todos os cabelos, então serei calvo. Houve, portanto, uma mudança qualitativa pelo simples aumento quantitativo de um gesto. Marx captura esse teorema de Hegel e o aplica à economia. Todos costumam considerar o dinheiro como um meio para atingir determinados fins, a satisfação das necessidades e a produção de bens. Mas – diz Marx – se o dinheiro aumenta quantitativamente até se tornar a condição universal para satisfazer qualquer necessidade e para produzir qualquer bem, então o dinheiro não é mais um meio, mas é o principal fim, e para obtê-lo se condicionará a satisfação das necessidades e em que medida se produzirão os bens. O dinheiro passa de meio a fim, e os fins anteriores passam a ser os instrumentos para atingir aquele fim (o dinheiro), mas que todos continuam a considerar somente um meio. O argumento de Marx pode ser aplicado à técnica. Se a técnica é a condição universal para alcançar qualquer objetivo, ela deixa de ser um meio e torna-se o fim primeiro a ser alcançado, para que se possa, depois, buscar os outros fins. Há cerca de 15 anos assistimos à queda da União Soviética. Muitas vezes – com grande ingenuidade – atribuiu-se esta queda a razões “humanísticas”, como as condições materiais de vida ou a falta de liberdades civis e políticas. Mas não são as razões humanísticas que determinam as quedas históricas. No início dos anos 1960, a União Soviética tinha um dispositivo técnico equivalente ao do seu antagonista, o mundo capitalista americano. Naqueles anos, quando a União Soviética lançou o Sputnik, os americanos não tinham ainda lançado satélites ao espaço. A queda da União Soviética, naquela época, era inviável. Nos anos 1980, no entanto, a instrumentação técnica americana alcança níveis inatingíveis pelos soviéticos, como atestado por Gorbachev, que implora a Reagan que não construa o escudo estelar antimíssil, porque eles não tinham nada para contrapor. A esta altura, a queda da União Soviética era inevitável. Como nos lembra Emanuele Severino na obra Il declino del capitalismo, se o objetivo, ou seja, o comunismo, só pode ser alcançado pela disponibilidade técnica, não a possuindo, este não terá mais nenhuma sustentação. Do mesmo modo, se a técnica é a condição universal para alcançar qualquer fim, a técnica não será mais um “meio”, mas o “fim” primeiro, aquilo que todo mundo quer, porque sem ela, mesmo os que são considerados verdadeiros fins – por exemplo, o comunismo mundial ou o capitalismo mundial – não poderão ser alcançados. As consequências disso, em nível antropológico, são enormes. Por motivo de brevidade, limitaremos a discussão a duas áreas apenas: a política e a ética.

Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 107