Mergulho no marxismo: Estado e política em Marx

Por Catarina Santos* | Foto: Reprodução Internet | Adaptação web Caroline Svitras

A primeira dissertação de mestrado sobre Marx do departamento de ­Filosofia do Makenzie foi defendida em 1968, sob a orientação do ilustre Ruy Fausto e banca examinadora composta por Bento Prado Jr. e José Arthur Gianotti. Após 46 anos de sua primeira edição, a obra Estado e Política em Marx é republicada, pois a dissertação do professor Emir Sader continua atual e recomendada a todos os interessados em compreender a teoria marxista. O autor nos traz suas primeiras reflexões sobre as questões fundamentais ao entendimento das formas objetivas de manutenção do poder pelas elites minoritárias. Para o filósofo e sociólogo, o esclarecimento deste enigma é indispensável para a construção de um estado democrático.

 

O autor focaliza sua atenção ao pensamento político de Marx com a preocupação de apontar as ambiguidades que lhe são atribuídas, considerando as críticas sobre o nível de objetividade de suas obras e o estatuto do objeto político. Destaca, também, o rompimento da teoria marxista com as demais correntes, notadamente sinalizado nas obras Miséria da Filosofia, Manifesto comunista, 18 brumário de Luís Bonaparte, Contribuição à crítica da Economia Política e O Capital. O aspecto político é analisado por Marx sob o ponto de vista das relações estabelecidas ao longo da história da humanidade. Seu diagnóstico tem como parâmetro “o conceito de modos de produção, que se conjugam de uma forma particular, as formas de transição entre eles, o caráter da hierarquização que definem entre si etc. e […] as formas ideológicas específicas da política, com valores jurídicos de liberdade, igualdade etc.” (pág. 14).

 

Estado e Política em Marx
Autor: Emir Sader
Boitempo Editorial, 2a edição (2014),
119 págs.

Emir Sader tece uma análise criteriosa de todos os escritos de Marx. Com Guerra civil na França, apresenta o modo de ser da Comuna de Paris. Já em A terceira da AIT, o autor nos apresenta a primeira forma de poder da classe operária. Quando nos debruçamos sobre a história francesa, podemos visualizar quanto é distinta a proposta política marxista. O Estado na sociedade capitalista é a condição de possibilidade do devir, representando a síntese da sociedade burguesa e a sua reprodução.

 

Em seu primeiro capítulo o livro percorre as raízes do político e sua vinculação com as relações de produção, desde as formas pré-capitalistas. Faz uma análise das relações políticas, de mercado e de trabalho, pontuando a constituição das contradições do capitalismo. Nesta sociedade, produção e circulação formam a realização do político.

 

As leis centrais do capitalismo são apresentadas com o estudo do Bonapartismo e Bismarquismo, no segundo capítulo do livro. Ambos “são tipos de governo que pretendem dar autonomia ao Estado diante das relações de produção” (pág. 51). Não se apresentam como representantes de uma classe, mas são instrumentos das classes dominantes, pois são porta-vozes de seus interesses, com os das outras classes sociais.

 

O livro se encerra colocando em questão a Filosofia Política, as ideologias que dão sustentação às formas de Estado. A discussão sobre a oposição Estado/Sociedade Civil traz ao debate contribuições de Gramsci, Bobbio e Della Volpe. Marx sugere a autonomia da sociedade civil, e Lênin propõe a superação da oposição Estado/Sociedade Civil como tática política para o desaparecimento do Estado.

 

Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 98

Adaptado do texto “Mergulho no marxismo: Estado e política em Marx”

*Catarina Santos é doutora em Filosofia pela UFRJ e graduada em Sociologia pela PUC-RJ. Organizadora da Revista ITACA, dos Estudantes de Pós-graduação em Filosofia do PPGF-UFRJ. Poetisa, membro da ANLPPB, cadeira 23. Correspondente da ALG. Blog: http://catharinasantos.blogspot.com; e-mail: catarina_santos@terra.com.br