Manifesto por uma educação criativa

Por Paula Felix Palma* | Foto: 123 Ref | Adaptação web Caroline Svitras

A educação é um dos pilares mais importantes da formação do ser humano. Talvez por isso mesmo esse assunto tenha tomado grande parte dos estudos e da preocupação de Nietzsche. Mas, ao contrário de defender o incentivo dos modelos das instituições, o eruditismo e o cerceamento da criatividade, o filósofo alemão criticou tudo isso.

 

Não é mesmo difícil encontrar instituições sérias e de boa reputação que propagam a ostentação do conhecimento, com alunos “reprodutores obedientes e brilhantes”. Até mesmo em cursos de Filosofia, vejo professores incentivando o pensamento represado em fontes e referências, reprimindo o livre pensar. Não à toa, um dos assuntos muito discutidos na Filosofia hoje é a falta de autonomia de pensamento e de novas ideias, para a construção de novas teorias.

 

Nietzsche, defensor do espírito livre, dizia que o eruditismo é prejudicial à vida, pois está preocupado apenas com o conhecimento como fim em si mesmo. Diz o autor da matéria de capa sobre as ideias do filósofo: “O eruditismo é um pensar sobre, é um afastamento em relação à vida; a erudição torna-se um mero treinamento da mente que, antes de libertar, aprisiona. Desse modo, aquilo que é pensado se torna abstrato e não mais vivo”.

 

O eruditismo, segundo Nietzsche, serve apenas para atender aos mecanismos do Estado, apequena e massifica o homem. E essa não é a ideia. O conhecimento deve ser propagador de culturas, ideias novas e libertas, algo que não pode ser proliferado nas instituições. O artigo de capa desta edição deve servir para aferirmos que tipo de educação hoje é ensinada e como esses aspectos todos ainda influenciam, e de forma importante, na educação de nossos jovens. O saber, com isso, tem-se tornado cada vez mais fragmentado e superficial, e é sobre isso que queremos refletir.

 

Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 101

Adaptado do texto “Manifesto por uma educação criativa”