Reportagens
Entrevista

Contra o pensamento dominante


Conhecido pelo livro Tratado de Ateologia, o filósofo e romancista francês Michel Onfray destaca-se por seu combate à "história oficial" da filosofia e pelo seu engajamento no projeto Universidade Popular, uma nova forma de conceber a educação


por Matheus Moura* tradução Joana Peixoto e Júlio César dos Santos

Tido por muitos, principalmente pela mídia, como o sucessor de Michel Foucault (1926-1984), Michel Onfray pode ser considerado - se não o sucessor de Foucault - ao menos o filósofo francês mais lido na atualidade. Parte desse interesse todo que ele desperta nos leitores está em dois aspectos latentes em suas obras: o ateísmo e o "outro lado da história" que prima em mostrar.

Além da proficiência na escrita - Onfray é também romancista com dezenas de livros publicados -, outro ponto que chama atenção na carreira do autor é o envolvimento dele com a educação

Papa João Paulo II
O Papa João Paulo II, ou melhor, Karol Józef Wojtyła, nasceu em 18 de maio de 1920 e faleceu no dia 2 de abril de 2005. Em 1978, aos 58 anos, tomou posse do posto máximo da Igreja Católica Apostólica Romana, tornando-se ainda Soberano da Cidade do Vaticano. Dentre todos os papas, João Paulo II teve o terceiro maior pontificado já registrado, sendo superado apenas pelos Papas São Pedro e Pio IX. Natural de Wadowice, na Polônia, foi o único Papa polaco da instituição. Na história recente, a era de João Paulo II foi marcada por atuações políticas, diplomáticas e sociais. Foi por meio dele que a relação entre cristianismo e judaísmo se tornaram amenas, além de ter sido figura chave para o fim do comunismo na Polônia. Apesar dos feitos positivos, foi duramente criticado por posturas retrogradas com relação à ciência, sociedade (principalmente sexualidade) e liberdades individuais.

O primeiro, por si só, já é controverso. Apesar da questão não ser tão nova, o ateísmo ainda é considerado tabu em certas discussões. No entanto, pela ótica de Onfray, a religiosidade e a sua negação são assuntos já bem definidos. O leitor pode conferir o desdobramento do pensamento do filósofo no livro Tratado de Ateologia, lançado em 2005 na França e que, na época, chegou a vender mais que a biografia do então recém-falecido Papa João Paulo II - considerado o maior papa dos últimos tempos. No livro, o autor trata de analisar os três monoteísmos: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, a apontar incoerências e contradições encontradas nos três livros sagrados de cada um: Bíblia, Torá e Corão, respectivamente. Um dos aspectos abordados é quanto à postura dessas religiões. Todas elas, apesar de pregarem a paz, como mostra Onfray, acabam por agirem de forma diametralmente oposta. Nas palavras do autor, "três milênios testemunham dos primeiros textos até hoje: a afirmação de um Deus único, violento, invejoso, quezilento, intolerante, belicoso, que gerou mais ódio, sangue, mortos, brutalidade do que paz." (Tratado de Ateologia, Martins Fontes, 2007).

Contradições à parte, o pensamento de Onfray, além de ateu, segue a linha da "contra-história da filosofia", ou seja, versa pelos meandros obscuros do pensamento dominante. Isso quer dizer que o filósofo, dentro do exercício de historiador da filosofia, procura trazer à tona, nos dias atuais, pensamentos por vezes esquecidos, relegados ao segundo plano por correntes vitoriosas como, por exemplo, o cartesianismo. Na série, que tem como título justamente a "Contra-história da filosofia", Onfray perscruta a vida, época e pensamento de vários autores.

No livro que abre essa série, As Sabedorias Antigas, os autores em destaque são: Leucipo, Demócrito, Hiparco, Anaxarco, Antífon, Aristipo, Diógenes, Filebo, Eudóxio, Pródigo, Epicuro, Filodemo de Gádara, Lucrécio e Diógenes de Enianda.

No segundo, O Cristianismo Hedonista, é a vez de Simão o mago, Basilides, Valentino, Carpócrates, Epifânio, Cerinto, Marcos, Nicolau, Amauri de Bena, Willem Cornelisz de Antuérpia, Bentivenga de Gubbio, Walter de Holanda, , Heilige de Bratislava, Johannes Hartmann de Amtmanstett, Willem van Hildervissem, Elói de Pruystinck, Quintin Th ierry, Lorenzo Valla, Marsílio Ficino, Erasmo e Montaigne.

Para o terceiro, Libertinos Barrocos, foram selecionados Charron, La Mothe Le Vayer, Aint-Évremond, Pierre Gassendi, Cyrano de Bergerac e Espinosa.

No quarto, recentemente lançado no Brasil, chamado de Os Ultras das Luzes, são tratados autores como Jean Meslier, La Mettrie, Maupertuis, Helvétius, D'Holbach e Sade. Todos os quatro volumes foram publicados no país pela WMF Martins Fontes.

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