Filosofoteca
Livro em destaque

A Filosofia vista de vários ângulos


Por Matheus Moura*

 

A história da Feiúra

SOBRE O AUTOR
Famoso pensador italiano, Umberto Eco nasceu em Alexandria, em 1932, e atua como filósofo, escritor, linguista e semiólogo. Autor de romances como O Nome da Rosa - que virou filme -, O Pêndulo de Foucault, Baudolino e tantos outros, é amplamente publicado no Brasil, sendo conhecido principalmente por seus escritos semiológicos e filosóficos. O mais recente livro do autor é Não contem com o fim do livro, de 2010, escrito em co-autoria com Jean-Claude Carrière.

SOBRE A COLEÇÃO
Após delinear a trajetória do belo no tratado A História da Beleza, Umberto Eco volta-se à discussão das características do feio, algo bem mais complexo e difícil de denominar. Nessa busca entre o belo e o feio, Eco acaba por traçar a história da humanidade até os dias de hoje por meio do gosto estético.


AUTOR: Umberto Eco
PÁGINAS: 460
EDITORA: Record

 

O feio só exite devido ao belo? Qual a relação entre o feio e o mundo das artes, ou melhor, com o mundo dos homens? Como o feio é visto hoje? Esses e outros tópicos são abordados no livro A história da Feiúra, do pensador italiano Umberto Eco. Continuação do tratado A história da Beleza, este tem como princípio adentrar o mundo obscuro da arte e suas diversas faces distorcidas.

Eco mostra que a própria conceituação de feiúra abrange, em muito, a de grotesco - termo usado para designar o que é repelente, mas pelo viés da deformidade e do escárnio. Tanto que se pode colocar o grotesco como uma categoria de feiúra. De acordo com Eco, mesmo depois de toda a discussão sobre o belo e o feio - levantada desde Aristóteles, passando pelos mais diversos  filósofos, até os dias de hoje - o primeiro a se dedicar ao estudo aprofundado do assunto foi Karl Rosenkranz, no livro Estética do feio, de 1853. Nele, o autor traça as diversas manifestações do que vem a ser o feio e o categoriza.

O filósofo, semiólogo e romancista italiano mostra que Rosenkranz determina a feiúra a partir de análises do feio da natureza, do feio espiritual, do feio na arte, da ausência de forma, da assimetria, da desarmonia, do des-  guramento e das várias formas de repugnante. Tamanha gama de signi cados acaba por colocar o feio como algo bem mais do que "simples oposto do belo", como aponta Eco. E, ainda pelo autor, se o entendimento quanto ao tema for estendido para a estética, surge uma espécie de paradoxo do feio, uma vez que ele passa a ser belo:

"Aristóteles (Poética, 1448b) fala da possibilidade de realizar o belo imitando com maestria aquilo que é repelente e Plutarco (De audiendis poetis) diz que, na representação artística, o feio imitado permanece feio, mas recebe como que uma reverberação de beleza da mestria do artista." (ECO, 2008, p. 20).

Para entender melhor as manifestações do feio Eco, identi ca três tipos de feiúra: o feio em si, o feio formal, e a representação artística de ambos. O primeiro deles, o feio em si, diz respeito àquilo que é feio independentemente de traços culturais. Por exemplo, um corpo em putrefação (seja humano, animal, vegetal), ou mesmo feridas abertas em estado de necrose, fezes etc. Tudo isso causa repulsa sem a necessidade de interferências sociais.

O segundo, o feio formal, trata-se daquilo que possui "desequilíbrio na relação orgânica entre as partes de um todo" (ECO, 2008, p. 19). Um rosto des gurado devido a sérias queimaduras, independente de quem seja, é unanimemente feio. Essa noção de feiúra se dá não pelas queimaduras em si, mas por apresentar um rosto fora de sua caracterização convencional. Já o terceiro, representação artística de ambos, é o feio sob orientação cultural/social elevado ao belo por meio da arte - geralmente como rompimento de conceitos obsoletos. Ou o contrário, aquilo outrora belo passa a ser encarado como feio visto pelos olhos de hoje. Por isso, avisa o autor, deve-se tomar cuidado ao fruir/taxar algo de feio ou belo.

O passeio pela feiúra apresentado por Eco perpassa desde a Antiguidade até a contemporaneidade a destacar e mostrar as principais manifestações desta estética avessa. Tudo isso em um escrito repleto de imagens e referências teóricas com trechos originais de obras literárias que abordam o assunto de diferentes modos.

 

LIVROS RECOMENDADOS

 

1 A FILOSOFIA DE DELEUZE E O CURRÍCULO
AUTOR: Tomaz Tadeu
EDITORA: FAV
PÁGINAS: 90

De leitura rápida, A filosofia de Deleuze e o currículo é o resultado do esforço de Tomaz Tadeu em elucidar
tópicos recorrentes na produção do filósofo francês. Além disso, no livro é possível conferir uma entrevista com
Tadeu, a qual adentra mais especificamente na produção do autor.

COMENTÁRIO DA EDITORA:
"O educador Tomaz Tadeu, inspirado no discurso de Gilles Deleuze, reflete sobre o currículo e a infância."

 

2 O AMOR
AUTOR:
André Comte-Sponville
EDITORA: WMF Martins Fontes
PÁGINAS: 126

Como o próprio título indica, o filósofo André Comte-Sponville se debruça sobre o tema amor e discorre a respeito de suas diferentes apresentações, além de contextualizar - dentro da história da filosofia - suas ocorrências. Pela primeira vez em formato impresso, o livro O amor é a transcrição feita da palestra homônima proferida pelo autor em 2008 e gravada diretamente em CD para o Éditions Frémeaux & Associés.

COMENTÁRIO DA EDITORA:
"Embora coincida, em certos pontos, com sua outra obra A felicidade desesperadamente, o autor acredita ser impossível falar da felicidade sem falar do amor ou se interrogar sobre o amor sem pensar em felicidade."

 

3 SOBREVIVÊNCIA DOS VAGA-LUMES
AUTOR: Georges Didi-Huberman
EDITORA: UFMG
PÁGINAS: 166

O professor, historiador e crítico de arte Didi-Huberman parte da desilusão de Pasolini, expressa como "não existem mais seres humanos", e na de Agamben, quanto este diz ser o homem contemporâneo "desprovido de sua experiência", para traçar como as diversas formas de resistência da cultura, do pensamento e do corpo relacionam-se para driblar o poder da política, da mídia e da mercadoria.

COMENTÁRIO DA EDITORA:
"A partir do Artigo dos vaga-lumes, escrito por Píer Paolo Pasolini em 1975, o filósofo Didi-Huberman defende a sobrevivência da experiência e da imagem, estabelecendo conexões com o pensamento de outros intelectuais."

 

4 ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS E A FILOSOFIA
AUTORES: William Irwin (Org.)
EDITORA: Madras
PÁGINAS: 210

O livro é a reunião de vários artigos de diversos autores que analisam de maneira aprofundada - pela ótica filosófica - tópicos apresentados por Lewis Carroll na obra Alice no País das Maravilhas. A proposta da publicação segue a linha de projetos similares, como Watchmen e a Filosofia; U2 e a filosofia, etc.

COMENTÁRIO DA EDITORA:
"Esta obra examina o significado subjacente mais profundo dos livros de Alice e revela um universo rico em lições filosóficas para a vida."

 

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
 
 
Conhecimento Prático Geografia :: Reportagens :: Edição 57 - 2014
Momento de reflexão
Conhecimento Prático Língua Portuguesa :: 15/10/14
Estilística e a evolução escrita
Conhecimento Prático Língua Portuguesa :: 15/10/14
Língua e cultura

Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 23 - 2010
Mito da Caverna:


Conhecimento Prático Filosofia :: Capa :: Edição 28 - 2011
Hannah Arendt, pensadora da política e da liberdade


Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 44 - 2013
A falsa citação de Voltaire


Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 23 - 2010
O animal Político



Edição 49

Saiba antes de todos as novidades da revista




Capa
Artigo
Em Debate
Grosso Modo
Idéias
Reportagens
Filosoteca

Expediente
Assine
Anuncie
Fale conosco
Mande suas sugestões
Favoritos

Faça já a sua assinatura!
Conhecimento Prático Filosofia

Assine por 2 anos
12x de R$ 9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Geografia

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Língua Portuguesa

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Literatura

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!

  ContentStuff - Sistema de Gerenciamento de Conteúdo - CMS