Ética, Baruch de Espinosa

Por Victor Costa

ÉTICA | Autor: Espinosa | Editora: Autentica | Ano: 2010

Dra. Nise Silveira – trabalhava como médica voluntária de grupos ligados ao Partido Comunista Brasileiro (do qual ela era filiada), gostava muito do livro Ética de Espinosa. Esse livro representa justamente uma espécie de grande “não aperto!” na História da Filosofia. Diferente da maioria dos filósofos modernos e de seus contemporâneos, Espinosa não considerava as paixões um erro e nem as contrapunha à razão. Ele afirmava que as paixões têm a mesma origem das virtudes, nas afecções: a capacidade de sermos afetados. Todos nós existimos em relação aos demais modos de existência. A filosofia de Espinosa propõe uma ética do conhecimento ao invés de uma moral da obediência. Mas essa ética do conhecimento não se trata de conhecer por conhecer, mas de conhecer para ser melhor afetado. A potência do intelecto é ao mesmo tempo uma potência afetiva. O corpo, para Espinosa, define se por sua aptidão de afetar e ser afetado. Quanto maior a aptidão afetiva, maior é a capacidade do espírito (psique) – isso sem contar que Espinosa não separa espírito e corpo. Um dos pontos que me chama atenção no pensamento da Dra. Nise é o de que o conhecimento formal, lógico, estruturado, tem pouco ou nenhum valor terapêutico, mas os afetos sim. Presumo que ela tenha descoberto isso com a ajuda de Espinosa.

 

 

 

 

Victor Costa é redator e roteirista. Mestrando em Filosofia no HCTE-UFRJ e Bacharel em Filosofia pela PUC-Campinas. Estudou roteiro cinematográfico na EICTV, em Cuba.
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e-mail: victorcosta.pauta@gmail.com

 

 

 

 

*Imagem: Divulgação

 

Revista Filosofia, Ciência & Vida Ed. 120