Entenda o conceito de metalinguagem

Linguagem e educação

Por Adriano São João e João Henrique da Silva | Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

A origem do termo “metalinguagem” deve-se à pesquisa de David Hilbert (1862-1943), que introduziu a concepção de Matemática como sistema meramente sintático dedutivo e criou sistemas particulares para a verificação dos sistemas simbólicos, os quais foram chamados de metamatemáticos. De maneira análoga, os “lógicos poloneses” e Rudolf Carnap (1891-1970) denominaram de “metalinguagem” qualquer sistema linguístico (por exemplo, a linguagem da Lógica, da Gramática etc.) que não conduza à denotata extralinguísticos, mas que, semanticamente, conduza a símbolos e fatos linguísticos. A metalinguística trata de qualquer expressão que não fala de coisas (reais ou ideais), mas de palavras ou discursos (exemplificando: “Mário” é um nome próprio de pessoa, masculino e singular). Aliás, a diferença entre Linguagem e Metalinguagem é de grande importância para a análise filosófica neopositivista, que, por sua vez, se constitui como um dos fundamentos da crítica à metafísica especulativa.

 

Em contraposição e influenciado pelos neopositivistas, os filósofos analistas defendem que existem modelos linguísticos que devem ser submetidos à análise das diferentes formas linguísticas, do modo como elas aparecem nos mais diversos contextos do falar comum.

 

Ludwig Wittgenstein foi um dos pensadores mais expressivos do Círculo de Viena.

Desse modo, nessa parte do texto sobre a Metalinguagem, cumpre concentrar a atenção em um pensador da Filosofia analítica de Cambridge chamado Ludwig Wittgenstein (1889-1951), que foi largamente considerado como um dos mais influentes filósofos do século XX. A obra mais importante de Wittgenstein é o Tractatus, que tem como tese central a ideia de que o pensamento ou a proposição representam projetivamente o mundo. A cada elemento da realidade corresponde um elemento da Linguagem (ou pensamento). A realidade consta de fatos que se resolvem em fatos atômicos, compostos, por sua vez, de objetos simples. A Linguagem consta de proposições moleculares (ou complexas), formadas por proposições atômicas não mais divisíveis em outras proposições. Essas são combinações de nomes correspondentes aos objetos.

 

No pensamento de Wittgenstein, “nós […] nos fazemos representações do mundo; e as representações que têm sentido são unicamente as proposições da ciência natural, ‘e a Filosofia não é uma ciência natural’. A Filosofia […] é […] atividade ‘que esclarece nossa linguagem’”.

 

No que concerne à metalinguagem, a tese wittgensteiniana fala da impossibilidade de uma metalinguagem que, por sua vez, se originou das divergências entre os próprios positivistas do Círculo de Viena. A tese de Wittgenstein depende da teoria dos tipos de Bertrand Russell (1872-1970), o qual afirma que uma Metalinguagem diz somente que a proposição deve mostrar o seu sentido, e não dizê-lo. Contudo, Wittgenstein aprofundou, de forma diferente, os dados russellianos, chegando a considerar, no Tractatus, como “[…] inaceitável que a linguagem lógica seja naturalmente uma Metalinguagem”, porque um enunciado proposicional é autossuficiente, mas isso não impede que a Linguagem possa falar num certo sentido.

 

Na verdade, segundo Silva, “uma Metalinguagem, na óptica do primeiro Wittgenstein, equivaleria a esquecer dos fatos e a admitir a possibilidade de metametalinguagens, de metametametalinguagens, o que provaria a fraqueza e a inconsistência da linguagem original”. Desse modo, o segundo Wittgenstein aprofunda as possibilidades de Metalinguagem, na qual a Linguagem é capaz de falar de si mesma, já que a Linguagem, agora, é práxis a “hermeneutizar”.

 

Com relação à Educação, o  pensador explanava que cabia ao professor o papel de “[…] ser um ‘ajudante’ na construção do edifício da autonomia intelectual do aluno”. Além de incentivar a criança a refletir por si mesma, despertando um espírito investigativo sobre as experiências de vida e transformando- -as em experiências práticas, Wittgenstein concebia a aprendizagem da criança como uma realidade estritamente individual (formas particulares de aprender), bem como as suas dificuldades. O aprendizado dar-se-ia com as observações empíricas. Inclusive, segundo Torrezan, Wittgenstein se preocupava com a constituição das Linguagens da criança e, consequentemente, com os “jogos de linguagem” formados em sua vida, tendo em vista a aplicabilidade cotidiana da Linguagem.

 

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*Adriano São João é professor adjunto nos cursos de Filosofia e Teologia da Faculdade Católica de Pouso Alegre (Facapa). Graduado em Teologia, Filosofia e Letras. Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. asaojoao@yahoo.com.br

**João Henrique da Silva, graduado em Filosofia e mestrando em Educação pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). jhsilva1@yahoo.com.br