Diários de Escritores

Confira a análise do livro "Diários de Escritos"

Por Ana Maria Haddad Batista* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Diário de Escritores

Os diários, memórias, biografias e autobiografias desafiam, em diversos níveis, os nossos sentidos. Em especial, nos dias de hoje em que o individualismo, talvez, em sua pior forma, se manifesta de maneira agressiva e os limites entre o privado e o público pululam escandalosamente. Confundem-se. Entrelaçam-se.

Diários de Escritores de Myriam Ávila, editora Abre, publicado recentemente, é um estudo levado a sério que concentra, em especial, seus objetivos em desvendar alguns mecanismos que levaram grandes escritores a compor um diário.

Uma pesquisa detalhada de um projeto acadêmico muito particular. Por quê? Entre tantos outros motivos que poderiam destacar a obra em questão, ressaltamos o estilo singular da autora. Consegue, (como raríssimos acadêmicos), instaurar em sua escrita uma voz autoral que se traduz pela leveza e delicadeza de sua escritura. Há, de fato, um estilo.

Eis o que poucos no universo acadêmico conseguem. E com isso, nós leitores, ganhamos um estudo detalhado que nos leva não somente ao universo de grandes escritores nacionais, mas, também, dos estrangeiros.

Myriam Ávila, no início do livro, indica quais serão os principais pontos, a respeito de diários, que irá abordar. E esclarece, de saída, que sua pretensão é “uma abordagem bastante particular do gênero diário, do qual se privilegia o subtipo ‘diário de escritor’, com ênfase na imagem do escritor como representada nele”.

Nessa medida, esclarece, sempre de forma fluida, as principais diferenças entre um diário em que o autor, em princípio, pretendia publicar daqueles em que escritores não tiveram intenções propriamente de uma publicação futura.

Note-se que tal distinção é fundamental para pensarmos em diários, sejam eles quais forem. Destaca a autora que uma das marcas de tal distinção é “o maior ou menor número de abreviações, elipses, referências obscuras”, sempre lembrando que na construção de um diário, deve-se pensar antes, nas intenções do autor.

“Não importa o quanto seja dedicado à exploração da subjetividade, o diário de escritor funciona como bússola no território da república das letras. Podendo significar, em momentos específicos, um baedecker, uma caderneta de poupança, uma pasta de projetos, guarda, em suas origens, ligações pelo menos tão importantes com o diário de viagem quanto com o gênero confessional.” Destacamos, inclusive, as considerações importantes que a autora fez entre um diário íntimo, o tal do confidente, de um diário de escritor.

Não custa lembrar, e a autora se mostra muito atenta a isso, que, especialmente nos dias de hoje, grande parte das pessoas acha que escrever é publicar pequenas historietas (cheias de peripécias) de suas próprias vidas ou da vida de uma vizinha, amiga, mãe. (Sejamos francos: os equívocos de tal processo desconcertam).

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*Ana Maria Haddad Batista é mestra e doutora em Comunicação e Semiótica. Pós-doutora em História da Ciência. Pesquisadora e professora da Universidade Nove de Julho.